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Em Saltos Altos

29
Dez16

"2016 foi O teu ano, Ana!"

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Hoje, enquanto eu alinhava nas tarefas do dia este texto, a minha melhor amiga disse-me, com a sinceridade e a frontalidade que convém aos melhores amigos: já reparaste bem que 2016 foi O teu ano? E foi mesmo. Como ela tem razão – tem sempre, aliás.

2016 foi O ano. O ano das mudanças, dos recomeços e dos – tantos – sorrisos. Há um ano atrás estava longe de imaginar a reviravolta que a minha vida estava prestes a dar. Mas, se para chegar onde estou hoje, tinha de passar por tudo o que passei, então eu voltava a - querer - viver tudo de novo.

E onde estou hoje? Agora que penso nisso: estou onde sempre quis – e devia – ter estado. Estou no Porto – a cidade do meu coração -, a estudar Arquitetura – o curso dos meus sonhos de sempre -, a morar sozinha – ou melhor, com o meu gato, amor da minha vida, e a ser, finalmente, eu de verdade.

Sempre acreditei que tudo o que nos acontece, acontece na altura determinada e por alguma razão. Hoje sei-o melhor ainda e com uma certeza mais vincada.

A maior mudança de 2016 foi, de certeza, ter ido finalmente atrás do meu sonho. Medos ao lado, que atrapalham sempre a coragem, lancei-me de novo às matemáticas, às geometrias e aos desenhos e puff... estava matriculada em ARQUITETURA, na Universidade do Porto. Como sempre sonhei. Mas como temia na mesma medida. Finalmente, a vontade sobrepôs-se ao medo e cá estou eu. Aos 24 anos, já com um canudo na mão, a provar a mim mesma, todos os dias, que nunca é tarde para nada. Se deu medo? Deu tanto. Mas a alegria de se fazer todos os dias aquilo que se gosta não tem preço.

Esta mudança trouxe, inevitavelmente, outra. E, aos 24 anos, cá estou eu também a saborear a experiência de viver completamente sozinha pela primeira vez. Logo agora que eu estava a precisar tanto de me encontrar comigo mesma. E encontrei. Aliás, ainda encontro, todos os dias, quando chego a casa e me sento a conversar comigo. E com o meu gato. Esse ser adorável que tem sido a minha companhia constante e a quem adoro cada dia mais.

Fisicamente, 2016 foi também O ano. Assumi, já o ano ia a mais de meio, um compromisso saudável. Ainda passou pouco tempo, mas – pelo menos para mim – as diferenças já são evidentes. Contudo, essas diferenças não se devem só a uns quilinhos a menos. F-I-N-A-L-M-E-N-T-E fiz-me uma mulher, enchi-me de coragem e fiquei loira. Eu, logo eu, que sempre fui morena e tão pouco de arriscar no meu cabelo. Mas o bichinho estava cá há muito – reprimido – e cheio de vontade. E pronto, aos poucos e poucos, para garantir a minha saúde capilar, lá fui aclarando cada dia mais. Até hoje, a este tom (quase, quase) platinado, mas tal e qual como desejei. As opiniões, essas, têm sido as mais favoráveis. Talvez porque, quando uma mulher se sente, verdadeira e interiormente feliz, os outros também a vêem assim.

E sim, 2016 também foi O ano das mudanças interiores. E que mudanças. Se há certeza que 2016 me trouxe foi que o amor não se esgota em todas as formas que eu achava que conhecia dele. Afinal, eu sabia tão pouco sobre o que era amar. E agora aprendi-o, finalmente. À força, à bruta, com dores. Mas aprendi. E, hoje, sei que o amor é muito mais do que ter (-lo). O amor é sobre nós mesmos. E sobre o que alguém nos completa para além de nós, e nos acrescenta. E não sobre o que nos tira. O amor, em si mesmo, não se esgota na relação monogâmica perfeita e no casamento e no para sempre. O amor vem de dentro. Do que somos e do que queremos ser com alguém. E, hoje, sei que quem quiser, um dia, juntar-se a mim terá de fazê-lo de coração aberto ao mundo, com a capacidade tão grande de amar que só a liberdade e a escolha de ficar podem trazer.

Por isso, com 2017 aí à porta, só me resta agradecer a 2016 por todas as oportunidades que me deu de ser quem sou agora. De me ter tornado neste eu tão mais genuíno e de quem gosto tão mais. Acredito que chega sempre uma hora na nossa vida em que nos encontramos verdadeiramente, e essa hora já chegou para mim. Talvez porque eu também tenha ido um bocadinho atrás dela. Ou porque simplesmente tenha aceitado, pacificamente, a oportunidade que me foi dada.

Que 2017 seja, agora, o desfrutar desta nova fase maravilhosa e que nele haja espaço para a realização de muitos dos sonhos e ambições que ainda tenho. Que seja recheado de saúde – que sem ela nada mais interessa, e em 2016 também não faltou –, de amigos, de família e de amor – sob todas as formas. Que eu continue loira, mais perto de vir a ser arquiteta e cada vez mais feliz. Que hajam muitos sorrisos. E muitos recomeços. Que é disso que é feita a vida.