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Em Saltos Altos

20
Out17

Cookie, vamos tomar café?

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Parecia-me indispensável falar disto. Não fosse a recente tragédia dos incêndios e já o país todo estaria num alvoroço maluco a falar da nova lei que permite a entrada de animais de estimação em locais públicos, como restaurantes e cafés. Sim, é verdade. Parece que desde há uns dias é possível fazermo-nos acompanhar dos nossos queridos bichinhos quando vamos tomar café ou jantar fora.

Vocês sabem-me uma apaixonada por animais (e dona zelosa de um gatinho) e por isso acredito que quisessem saber a minha opinião. Pois bem, não consigo discordar, mas também não consigo concordar a 100%. Acho, sobretudo, que esta é daquelas leis que se vai reger na base do bom senso (que infelizmente é coisa às vezes rara em Portugal). Se há cães e gatos que, com toda a certeza, podem ir ao café e se portam melhor que alguns humanos (sim, desculpem a frontalidade, mas há); também existem outros (como o meu) que em pouco tempo faziam daquilo um alvoroço tal. Quer porque não de adaptam bem a lugares novos, a pessoas desconhecidas, porque são curiosos e querem espreitar tudo, ou, no limite, porque não receberam a melhor educação. O meu Cookie, por exemplo, era gato para saltar logo para cima da mesa (até onde a trela lhe permitisse, que jamais seria louca para o levar solto) e não se inibir de miar e pedir festas a quem fosse passando. Fazer grandes distúrbios não acredito que fizesse, mas também não ia deixar de se fazer notar presente – tem a mania que é diva, paciência! No entanto, conheço pelo menos uma cadela e um gato que sei perfeitamente que poderia levar comigo a um jantar bem sério porque se iam portar à altura, interrompendo só para pedir para fazer xixi, e ficando o resto do tempo impávidos e serenos no chão, à minha beira.

Mas isto sou eu. Que (felizmente!) fui dotada de algum bom senso e consigo perceber. Agora o problema, creio eu, vai estar nas situações em que isso não acontece. Em que eu vou querer tomar café e vou ter um cãozinho a baloiçar a mesa constantemente ou a ladrar como se não houvesse amanhã. E a mim, embora incomode, ainda me passa ao lado. Mas já se puseram no lugar de quem tem medo? Medo mesmo, medo a sério. Conheço pessoas assim. Pode ser muito complicado para elas. E tanto pode ajudar como pode complicar e só acentuar ainda mais a fobia.

E depois, se querem que vos seja honesta, acho que corremos o risco de entrar numa onda de cinismo perigosa. Acredito que a maior parte dos bons donos (leia-se, donos conscienciosos e efetivamente preocupados) não vão correr os cafés todos do bairro com os amiguinhos de quatro patas (pelo menos até terem a certeza de que é confortável para eles); agora aqueles que querem apenas provar que são bons donos (mas que nós sabemos que deixam muito a duvidar), esses sim vão querer exibir o quão brilhante está o pelo e o quão alinhadinhos estão os bigodinhos do gato.

Não me estou a ver a levar o Cookie a lado nenhum. A não ser, por exemplo, a uma esplanada no verão, perto de casa, e na transportadora ou de trela bem curta. E assim só à experiência, para ver como ele reage. Mas gostava de fazer a experiência de levar um outro animal, mais obediente e menos enérgico. Gostava de ver a reação das pessoas. Os comentários. Estou curiosa com esta lei e com as suas consequências. Porque é tudo novidade. Espero, acima de tudo, que possa contribuir para um novo olhar da população em geral sobre os animais e o seu papel na sociedade. Muitas vezes, o cão ou o gato são a primeira (ou a única) companhia de muitas pessoas. E isso, além de dever ser valorizado, dá que pensar.

Um dia destes, quando conseguir fazer a experiência, conto-vos tudo aqui. Até lá, gostava de saber as vossas opiniões.   

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