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Em Saltos Altos

06
Mar17

Enquanto isso cá em cima...

emsaltosaltos

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Estou a escrever este texto enquanto estou a não sei quantos mil pes de altitude, enfiada nesta coisa que, extraordinariamente, voa e leva a bordo mais de 200 pessoas. Arre, que agora que penso nisso estou um bocado arrepiada. Mas, em boa verdade, acho que o meu medo de voar é mais fruto de especulações que fui ouvindo ao longo de toda a minha vida do que da (pequena) experiência de voo que tenho. Se este texto chegar a ser publicado, todos os meus voos correram dentro da normalidade (a esta altura estou no ar há 10minutos). Por isso, não fossem as notícias - ah esses malditos jornalistas - ou aquilo que um e outro vai dizendo, não tinha razões para ter medo de voar. Tudo é uma questão de pensarmos demasiado nas coisas. E eu, pensativa por natureza, tive de me abstrair de uma série de coisas para voar a primeira vez. E, quando aconteceu, depois de cá estar dentro, não achei que fosse assim tão mau. É claro que arrepia, que faz confusão, mas arre... não é o transporte mais seguro do mundo? Então! E, como diz um amigo meu, se correr mal pelo menos não tens tempo de sofrer. Quero dizer-vos que não estou a ponderar o que escrevo é que não vou alterar o texto antes de o publicar. A ideia é que seja um diário de bordo - literalmente - e que tenha nele as minhas sensações todas, à flor da pele (e a uns belos metros de altitude). Viaja atras de mim uma bebe, de poucos meses, toda feliz por sinal. Isso faz me pensar que o medo também é movido pelo conhecimento. Quando não sabemos não tememos. Talvez por isso eu prefira saber pouco de aviões. Que me interessam as saídas de emergencia se muito provavelmente não vou ter tempo de as usar? Adiante. Que ainda cá estou em cima e pensamentos positivos atraem coisas positivas. E há palavras que não se dizem. Tenho sono. Mas não devo conseguir dormir. Já tentei, mas o poder de abstração nunca foi tão longe. Nem nunca me levantei num avião acreditam? Juro! Sei que isto vai lá por etapas, e que um dia destes vou ao Brasil (um raio me parta se não vou, que aquilo há de ser lindo). E dessa vez sempre terei que ir pelo menos fazer um xixi. 9 horas é uma eternidade. Mas também se deve fazer. Com um bom livro, uma companhia melhor (e uns calmantes no estômago). Por enquanto, honestamente, só quero que a próxima hora passe. E, enquanto passa e não passa, vou aqui a pensar em como nunca poderia ser hospedeira de bordo. Trabalhar com medo do local de trabalho não é lá grande coisa pois não? Pois! E é por isso que as admiro tanto. Por isso e pela calma constante que nos transmitem. Isto até pode estar prestes a cair, mas o sorriso e o "tenha calma menina que está tudo bem" que o moço jeitoso acabou de me dar valem tudo. E o que é que não vale tudo aqui? Onde nem umas mensagens se podem mandar. É que isto a falar com os amigos e a ver umas fofocas passava bem mais depressa. Talvez não seja para mim, mas ainda há de haver wifi cá em cima um dia destes não? Ora, se dormir é coisa que eu não consigo fazer num avião, já com comer a conversa é outra. Mas eu também sou rapariga pouco esquisita para enfardar. E, acreditem, a comida tem em mim um efeito calmante. É por isso que agora mesmo estou aqui a devorar bolachas. Ah e porque não jantei (desculpas, bah). Estou a viajar com pessoas que têm ainda mais medo de viajar do que eu. Conseguem imaginar? Ora, eu como não quero que lhes falte nada, e como já os conheço de outras andanças, decidi munir-me de coisas que os distraíssem. Música para ser mais precisa. Resultou. Em menos de nada estaremos no Porto. A noite em Barcelona estava linda e a estar assim em Portugal a vista será magnífica. Vai dar uma boas fotos (sim, que eu vou à janela e adoro, ficam a saber). Nos poucos momentos em que me distraio completamente dou comigo a babar pela paisagem e a adorar isto tudo. Sou assim mesmo, de extremos. E com aviões não havia de ser diferente. Fiquei conhecida (e fui troçada) recentemente por dizer, numa situação muito peculiar, a célebre frase "a mobilidade é de facto uma coisa extraordinária". Mas não é mesmo? Sei que a mobilidade a que me estava a referir não era bem um voo, mas aproximava-me de lugares e pessoas onde queria estar. Portanto vai dar ao mesmo. Encaro está geringonça onde vou como um mal necessário. Que dizer que voar é um prazer acho que é coisa que nunca me vão ouvir. Entretanto, enquanto me perco aqui no meu telefone, estamos a chegar ao Porto. Em segurança e com pouco abanões (graças a Deus e à tripulação acho eu). Mal tenha os pés firmes e uma ligação de internet vou publicar isto. Espero que ajude alguém que como eu não gosta muito destas aventuras. É seguro amores, acreditem. E rezem. Assim como assim mais vale prevenir que remediar. Ps: por castigo Divino de falar antes do tempo, assim que terminei este texto o S.Pedro decidiu abanar o avião por todos os lados, numa chegada ao Porto que não podia ter sido mais agitada. Valeu o bom humor de quem lá ia para servir de distração. Mas que tive medo tive. Enfim. Coisas da aviação. Que como me disse um rapaz (de quem não cheguei a saber o nome) "se pagamos bilhete temos que ter direito a tudo, menina. Incluindo uns abanões".

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