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Em Saltos Altos

26
Mai17

"Irrita-me que ele tenha sempre razão" | #segundoelas

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Todas nós, todinhas mesmo, temos, já tivemos ou vamos ter nas nossas vidas alguém que parece que nasceu com o dom de ter sempre razão. Há pessoas que acharão isso extraordinário. Pelo tempo que poupa em tomadas de decisão, pelo lado prático da coisa e pela segurança que dá saber sempre a quem recorrer. Mas eu não. Ora logo eu. Não que seja nariz empinado (não sou, pois não?), mas porque fui sempre muito certa (e assertiva) nas minhas opiniões. Também não é que tenha mau 'perder', mas gosto sempre muito mais quando sei que estou certa. E gosto sobretudo de provar isso. Mas não fosse a vida uma constante descoberta, até para pessoas como eu tem guardadas outras pessoas especiais que vêm mudar tudo. E que vêm sobretudo reinventar tudo.

Apareceu recentemente (vá, mais ou menos recentemente) uma pessoa assim na minha vida. Começou como de costume, como começa sempre. "Ele sabe lá o que diz". "Ele pensa tão diferente de mim que nem para meu amigo serve...". "Ele parece saído de outro planeta". "Ele ainda é pior que...". Estas foram algumas das frases que repeti imensas vezes. Aí estão as minhas amigas mais próximas que o podem confirmar. Porque, lá está, ele não servia e eu tinha que ter razão. Pelo menos nisso eu havia de ter razão. Mas, como num jogo, ele começou a fazer as apostas dele e começaram, uma a uma, a saírem todas certas. Se alguma vez lhe disse isso? Antes deste texto não. Pelo menos tão francamente, não.

Irritava-me, e continua a irritar-me, que sempre que ele diga alguma coisa eu me arrepie com a possibilidade de estar certo. E não acho que seja por ele ser extraordinariamente inteligente (não, também não é burro). Mas acho que é mais por ser descomplicado e prático de uma forma que eu adoro. E sobretudo por me conhecer em menos de um ano como algumas pessoas de uma vida ainda não conhecem. Afinal ele servia. E serve cada vez mais. É agora o amigo de quem quero sempre a opinião. Nem sempre a sigo (também é certo), mas pelo menos faz-me ponderar e avançar com mais precaução.

Ele sabia deste texto (acho eu), mas nunca o deve ter imaginado tão franco. Está a esta hora a rir-se e a pensar "e lá tinha eu razão". Sabem que mais? Deixem para lá. A verdade é que me irrita ter que lhe dar razão até para lhe dizer que ele tem razão. Mas a verdade é que também só assim (e só ele) me fez perceber uma série de coisas. Entre elas que eu só seria feliz, verdadeiramente feliz, quando me preocupasse mais comigo do que com os outros. Tinha razão.