Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Em Saltos Altos

08
Mai17

Sobre os meus cinco minutos...

emsaltosaltos

IMG_2245.JPG

 

Aqui há dias um amigo meu - começar textos assim está a tornar-se rotina, se calhar tenho de rever isto... mas retomando, explicava-vos eu que aqui há dias um amigo, daqueles em quem a honestidade é (mesmooo) o ponto forte, dizia-me, meio a brincar meio a falar a sério, "tu devias era escrever um texto sobre os teus ataques de cinco minutos e sobre quem os atura, isso é que era Ana Leitão". Pois bem, eu achei que ele até poderia ter alguma razão. Afinal, ele sabe melhor do que muitos do que fala - porque me atura muitas vezes - e se ele acha que isso deve ser partilhado com o mundo alguma razão deve ter. Como tem (quase) sempre.
Antes de mais importa tentar traduzir-vos de forma simples o que significam, neste nosso vocabulário, os "cinco minutos". Eu, que de rapariga calma não tenho nem nunca tive nada, volta e meia ponho o coração para lá da boca - e a razão num sítio tão longe que nem eu sei onde - frito a pipoca e desbobino uma séria de disparates tais dos quais, escusado será dizer, me arrependo num curto espaço de tempo. Daí os cinco minutos, estão a ver? É o que se chama dar-me, mas passar-me depressa.
Sou assim desde que me conheço por gente. Impulsiva. Ou inconstante. Sim, talvez inconstante seja mais a palavra. Sei-me muito bem resolvida nas questões essenciais da vida e na postura que tenho sobre elas, mas nas coisas do dia a dia, nas minhas escolhas e sobretudo nas relações com os outros são um novelo difícil de desfazer. Admito que sim. Porque sou um anjo, na maioria do tempo útil, mas posso ser um diabinho quando me dá a neutra. Não sei se não somos todos um bocadinho assim, mas eu tenho que reconhecer que sou mais. Ou pelo menos de forma mais recorrente e drástica. E tenho noção como isso afeta e tem afetado as minhas relações com as pessoas. Nem toda a gente está disposta a esperar cinco minutos para me passar a birra. E o pior, o pior mesmo, é que às vezes esses cinco minutos são o suficiente para dizer coisas que depois não voltam atrás. E por ter tanta noção disso - e do defeito enorme que é - tenho tentado compor-me ao longo dos anos. Não é um caminho fácil, porque acredito que há traços da nossa personalidade que nos são tão intrínsecos que nunca se dissipam por completo, e este é sem duvida um deles. Mas acredito igualmente que a idade - e a maturidade - me vão trazer uma certa calma e paz de espírito e me vão tornar uma rapariga mais ponderada (será?). Felizmente, têm-se cruzado no meu caminho pessoas - como esse meu amigo - que me entendem e sabem esperar pela Ana que existe para lá dos cinco minutos. Ele, por exemplo, utiliza a técnica mais eficaz até hoje: deixa-me falar sozinha. Irrita-me um bocadinho, confesso, mas evita uma série de problemas. Evita ao ponto de nunca termos discutido. E olhem que é coisa que não posso afirmar com mais ninguém. E isto faz-me também pensar que não há feitios complicados, há pessoas diferentes, com traços e personalidades distintas, e que podem estar mais ou menos dispostas a aceitarem-se e mais ou menos dispostas a investir num exercício de compreensão. Eu percebi, sobretudo no último ano, que as pessoas nunca se moldam ao que tu queres, mas que - e ainda bem - se moldam ao que vão construindo juntas. Que, mais importante do que ser como sonhaste, é ser como é e ainda assim não teres dúvidas de que te vai fazer muito feliz.