Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

emsaltosaltoss

22
Abr19

Difícil mesmo é voltar a acreditar no amor...

emsaltosaltos

6ff5fa06e5c64314b2e4debec3db18b7.jpg

 

 

O difícil não é secar as lágrimas. Não é calar o choro à noite na almofada. Não é morrer de saudades. Não é deixar de seguir nas redes e apagar o número de telemóvel. O difícil não é deixar ir. É deixar entrar. O difícil não é o fim. É tornar qualquer outro início possível. O difícil – mesmo difícil – é continuar a acreditar. No amor.

Depois que vês o lado menos bonito,  fica difícil volta a acreditar em contos de fadas. E talvez nem acredites mais. Porque – afinal – abóboras são só abóboras e qualquer sapato perdido pode ser substituído por outro da Zara mais próxima.

Vais crescendo, vais estando solteira, comprometida, solteira,... vais superando deceções – as tuas e as dos teus amigos – e vais somando um sem número de canalhices que vês acontecerem à tua volta. Vais ver o mundo desmoronar-se quase tanto como no dia em que ele partiu quando descobrires que aquele amigo fiel de há anos, afinal ficaria com qualquer uma de vocês nas costas da namorada. Quando souberes que a tua amiga – mesmo cheia de declarações e frases bonitas no Instagram – diz ao namorado vezes sem conta que está a dormir em tua casa. E nunca está. Quando perceberes que a Disney te mentiu. E os teus pais também. Quando perceberes – e isso sim, dói – que não se trata do amor mudar tudo. Às vezes o amor não muda nada. Às vezes, por mais amor que dês, por mais que transplantes o teu coração para um peito alheio... – isso não vai chegar. Porque nunca, e desculpa Salvador, se pode – nem se deve – amar por dois.

E, por isso, o difícil é deixares que alguém te tente mostrar o contrário disto tudo. Sabes que não queres mais sujar a almofada com rímel à noite. Sabes que não queres mais “seremos felizes para sempre”. E, nessa confusão de saberes, também sabes – lá no fundo, bem no fundo – que a única coisa que querias era que O tal aparecesse. Mas com uma etiqueta e um manual de instruções. Para garantires que não te voltas a enganar e para poupar todo o esforço de meses de conhecimento. Só com as coisas boas – que de más já chega. E o difícil é isso: conseguir ser por inteiro num novo começo quando nos foram tirando bocadinhos nos fins. E saber controlar os impulsos repetindo em modo automático a máxima de que quem chegou não tem culpa de quem já foi. E vais – podes acreditar que vais – querer que isto tudo passe depressa. Vais querer que te dêm uma dose generosa de morfina e que te acordem só quando o (teu) mundo já for cor de rosa outra vez. Mas não te vais poder resignar. E o difícil é isso. O difícil é aceitares que, mais do que saberes esperar, vais ter que saber estar à espera. Que não te vais levantar do sofá para ires atrás do amor, mas que tens que garantir que estás em casa no dia em que ele tocar à porta – e que lha vais abrir. Vais ter de lutar – e isso sim é difícil – por não pô-lo porta fora à primeira insegurança, ao primeiro “vou dormir” e aos filmes que se seguirão na tua cabeça. Vais ter de ser forte – por ti – e isso sim, é difícil. E, verás, comparado com o difícil que foi deixá-lo partir, vai ser bem mais difíil deixá-LO chegar. Mas desta vez vai ser para sempre. Ou pelo menos para sempre feliz enquanto for. Ou, valha-nos, pelo menos feliz – por uma semana, um mês ou uma vida. Vais perceber .- e nesse dia vai doer menos – que difícil mesmo, mesmo é viver sem amor. É quereres contar as novidades do dia e não teres lá ninguém. É quereres que os teus olhos brilhem e serem só vazio. É quereres ver as estrelas à noite e prometer mil coisas que sabes que nunca acontecerão e mesmo assim vocês vão prometer e selar com promessa do dedinho. É ter a certeza que amanhã, quando acordares, alguém ainda vai lá estar – para te arrancar mais um sorriso e relembrar-te que só o que é difícil vale verdadeiramente a pena.

Sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Pesquisar

Comentários recentes