Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

emsaltosaltoss

23
Nov18

Sobre corpos perfeitos e outras merdas que não existem...

emsaltosaltos

 

656DFF07-2CE7-4BB2-B712-54137A13A0F8.jpeg

 

Tenho pensado muito sobre esta merda de ter o corpo perfeito. Tenho olhado muito para o espelho. E para o meu closet. E para mim própria. E para uma galeria fotográfica que não me deixa esquecer que nem sempre fui assim. 

Tenho pensado muito em qual seria o meu corpo perfeito. Assim se pudesse ser eu a escolher e a mandar tudinho, sabem? Mais magra? Mais definida? Com mais maminhas? Com menos rabo? Com uns bracinhos mais finos? Com um nariz direito? 

Não sei. Não sei mesmo. A primeira resposta que me ocorre é que gostava de ter um corpo mais bem aceite socialmente. E, honestamente, nem sei o que isso é. Acho que é ser mais magra. Com umas pernocas pouco rechonchudas e um rabiosque que não salta à vista. Ou talvez não seja nada disto e eu ache erradamente que é. 

Não tenho o corpo que quero. Mas nunca tive. Nem quando era magra. Nem quando era loira. Nem quando era mais gorda. Nem quando era morena. Mas será que alguma vez temos, realmente, o corpo que queremos? Tenho amigas fit, boas c'ómo diabo, com tudo no sítio, e que mesmo assim passam a vida a queixar-se. Porque somos uns insatisfeitos por natureza.

Sou saudável, até à data. Como com excessos, de quando em vez, mas também respeito tudo aquilo que dizem que faz bem. Não fumo, não bebo e não me drogo. Potencialmente estou a fazer tudo para ter o corpo perfeito. Se o corpo perfeito for o que nos permiti viver saudáveis, sem desconfortos e sem dores, dentro dele.

Mas não tenho o corpo que gostava de ter. O que gostava de desfilar na praia. Um corpo mais parecido com os outros corpos que nos dizem que são bonitos, sabem? Mas a verdade é que também nunca deixei de desfilar, nem na praia nem em lado nenhum. Graças a Deus!

Honestamente, acho que nunca me apaixonei pelo corpo de ninguém. Ou seja, nunca foi assim a forma física invejável que me fez investir em alguém ou numa potencial relação. É mais o pacote completo. A forma como se arranja, como enche uma sala quando entra, como sorri, como se entrega e como me faz entregar. E, talvez por isso, não acredite em corpos perfeitos. Pelo menos em corpos perfeitos que conquistem. Sei que se pudesse ostentar uma prateleira um nadinha maior ou um rabiosque mais empinado talvez notasse mais aproximações. Sabemos todas isso, não é? Mas também sabemos que um gelado cúmplice à meia noite no sofá ou um jantar (mega calórico) às luz das velas ou não, faz muito mais ficar do que um par de mamas. 

Eu não me importo se o meu namorado não tem um tanquinho. Eu não o conquistei para lavar roupa. E nem quero que ele se importe por eu não ter uma cinturinha de vespa, porque não fiquei com ele para desfilar cintos. Eu só quero fazê-lo sentir-se o homem mais bonito do mundo, independentemente do espelho e da balança. E quero sentir-me, ao lado dele, um anjo digno da Victoria. Quero saber que agora me deseja tanto como quando me conheceu. E que me vai desejar da mesma maneira depois dos oitenta. Quando tudo o que restar for um sorriso. Porque afinal, o corpo perfeito é tanto disso. É o corpo que nos permite viver a vida que temos a certeza que nos faz feliz. O resto são padrões. Que mudam.   

2 comentários

Comentar post

Sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Pesquisar

Comentários recentes