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21
Mai18

Sobre relações à distância ou... o amor não se mede em quilómetros

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Nunca soube lidar com a distância. Fosse de quem fosse. Família, amigos, colegas... e muito menos namorados. Não sei, por isso, lidar com relações à distância. Mas estou a aprender. Aos poucos. Porque a vida nem sempre se apresenta com as facilidades com que queríamos. E nós também nem sempre (ou quase nunca) escolhemos apaixonar-nos pelo vizinho da mesma rua. Há de acontecer às vezes, e felizes esses a quem acontece; mas a mim não aconteceu. Apaixonei-me por alguém que trabalha longe, mora longe e cuja vida não passa mesmo pela minha rua. Sabia-o assim desde o primeiro momento. Mas não sabia, nem acreditava, que isto um dia ia ser uma relação. Por isso o prefixo distância nunca se pôs. 
Tenho amigas que dizem que para elas seria o fim. E outras que dizem que quando é amor, nem que vivesse na Austrália (se bem que a Austrália me parece efetivamente muito longe). Tenho sempre quem me dê várias opiniões. Porque nisto do amor é como em quase tudo na vida. Toda a gente sabe tudo. Até se ver nelas e ninguém saber nada. 
Tive medo. Tive muito medo. E ponderei recuar, dizer que não, sair enquanto era tempo. Porque tive medo. Seria (e é) sempre uma barreira. Ainda hoje, quando a saudade aperta mais, tenho medo. E penso se tomei a decisão certa. E não, não é por falta de amor (nunca!), é antes por estar ainda a aprender a lidar. 
Quem, como eu, vive ou viveu uma relação à distância, sabe qual é a sensação de ter a vida empacotada em malas. De andar sempre cá e lá. De tentar enfiar os sonhos numa mochila (e as melhores roupas, e as que nunca conseguimos levar). E de depositar todas as esperanças (e todas as saudades) num bilhete de comboio. E de saber já de cor as estações, as áreas de serviço, as horas de partida e de chegada. E de saber, também, o quão doce (e estranho) é sempre chegar (e o quão amargo é sempre partir). 
Mas o pior, o pior, pelo menos para mim, é que quando amas à distância, amas mais ou menos com hora marcada. Obrigas-te, porque tem que ser, a um mais ou menos planeamento. E sabes que é mais ou menos naquele dia que o vais ver. E que vais depois vir embora. Também numa agenda marcada. 
Se me apetecer, ao final do dia, porque tive um dia péssimo (ou então incrível) ir tomar um café, beber uma cerveja ou partilhar um pôr do sol com ele, não posso. Não posso quando me (nos) apetece. Posso mandar lhe mensagem, ligar-lhe, fazer videochamada até (e felizmente que nascemos nesta era das super tecnologias), mas não posso estar com ele. E eu, sabem, logo eu que sou tão dada a fisicalidades (sim, provavelmente não existe, mas achei adequada), tenho alguma dificuldade em abdicar do cara a cara e do mão na mão. 
Também sabemos (quem vive nisto) o quanto é bom quando finalmente estamos juntos. Como horas sabem a dias e dias a messes. Como temos uma urgência louca de aproveitar, de mimar, de agradar... Porque sabemos que o que é bom acaba depressa. Também conhecemos o sabor de não termos rotinas, de não estarmos fartos da desarrumação ou da tampa da sanita esquecida. Também sabemos a maravilha que é chegar com um coração a abarrotar de saudades para matar. E sabemos, depois, como é partir e esperar (ainda na viagem de regresso) por isso tudo outra vez. 
Invariavelmente, não escolhemos por quem nos apaixonamos. E na vida real nunca podemos ditar a distância máxima como no Tinder. Podemos antes (e gosto de acreditar que sim), tentar amar a tempo inteiro, mesmo quando só nos encontramos a part time. Tentar contornar o obstáculo que pode ser (e é) a distância, encontrando-lhe mais pontos bons do que maus. Podemos ir aprendendo a lidar (e não sei se algum dia saberemos). Só não podemos, isso não, começar a acreditar que deixou de fazer sentido. São só quilómetros. E o amor não tem medidas.

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  • emsaltosaltos

    Obrigada :) e obrigada por seguir o meu trabalho! ...

  • A 3ª face

    Parabéns! Está linda.

  • emsaltosaltos

    Obrigada :) ainda bem que gostaste! Fico de coraçã...

  • w-m-mind

    Adorei as tuas escolhas, mas sem dúvida que as min...

  • emsaltosaltos

    Sim, faz bem a mesma função e é linda :)